quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Polvo à Galega

Matéria-prima: Polvo, cebola com casca, azeite, pimenta cayena, sal.

Ferramentas: Panela.

Execução: Coloca-se água na panela em cerca de 75% da sua capacidade. Quando a água ferver colocam-se duas cebolas inteiras com casca e o polvo na panela. Quando estiver quase cozido junta-se o sal. Cozido o animal, retira-se da panela, deixa-se arrefecer e corta-se em rodelas generosas. Utilizando um prato, não muito raso, dispõe-se o polvo, já devidamente cortado, e polvilha-se com a pimenta cayena a gosto. Quando chegar a altura de ser ingerido rega-se o polvo com azeite morno e serve-se de imediato.

Estrutura: Pão de trigo caseiro do dia anterior

Complementos: Tinto, branco, verde ou rosé.

Mão-de-obra: Grau de dificuldade muito baixo.

Prazo de execução: Quarenta e cinco minutos.

Orçamento: Baixo.

Higiene e segurança: É proibido desperdiçar azeite. Para que esse crime não aconteça, recorre-se ao pão do dia anterior.
Atenção à pimenta cayena, pois, se polvilhada em excesso destrói qualquer iguaria.

Normas: Não cortar o polvo quente. Não beber cerveja, pois em “amizade” com o azeite morno e a pimenta cayena pode causar alguma azia.

9 comentários:

chalabi red disse...

não creio que a pimenta de cayenne seja a mais indicada. Creio que os galegos usam pimentão ( colorau )

jms disse...

Antes de mais, em nome do “Hoje há pipis” quero agradecer a todos aqueles que nos visitam, a simpatia com que nos receberam na blogosfera para quem gosta de comer, a que nós muito carinhosamente chamamos alarves, sem sentido depreciativo.
Em relação á questão levantada pelo Chalabi Red, é verdade que na Galiza se usa muito “pimenton” na gastronomia, até porque esta região espanhola é um dos maiores produtores de pimentão do mundo. Além disso, existem muitas variantes do pimentão galego, tais como, o pimentão-doce (colorau ou paprica) e o pimentão picante, elaborado a partir de “pimientos” picantes mais conhecidos por malagueta.
Mas, não tenho duvidas em afirmar que o Polvo á Galega é elaborado com pimenta cayena, produzida através dos mesmos métodos que o “pimenton” picante galego, mas com uma malagueta originária da América central trazida pelos colonos espanhóis para a Europa, e que existe em grandes quantidades nos quintais dos nosso vizinhos galegos por se reproduzir muito facilmente através dos ventos que transportam as suas sementes.
Para além de ser um óptimo tempero para peixes e mariscos, é estimulante, rica em vitamina A e C e um bom auxilio no tratamento da má circulação sanguínea.
Agradeço ao amigo Chalabi Red o comentário e lanço o repto a todos os que visitam o “Hoje há pipis”, no sentido de utilizarem este espaço para troca de ideias, dicas…enfim, de conversa á volta duma temática que muito me agrada.
Abraço

Goretti disse...

Adoro polvo. E este está com um ar excelente

J. Carlos disse...

Caro JMS,

Vejo que fez o seu trabalho de casa. Mas deixe-me dizer-lhe que, a sua resposta ao comentário do amigo chalabi red, tem tanto de esclarecedora como de arrogante.
Não posso deixar passar em claro a sua afirmação quando diz “…não tenho dúvidas em afirmar que o Polvo á Galega é elaborado com pimenta cayena…”.
Os meus pais são da Galiza e, curiosamente, a minha mãe é cozinheira de profissão, actualmente no Restaurante Arcadia em Pontevedra. Falta-lhe portanto, apenas um blog no seu curriculum.
Bom, de facto pode-se substituir o pimentão, é verdade, por pimenta cayena, isto para quem prefira um sabor mais picante. Mas também é verdade que se utiliza, e muito frequentemente, o pimentão-doce neste prato galego. Se quiser continuar o seu trabalho de casa, pesquise na net em Polvo à Galega e verificará que sim, na Galiza utiliza-se e muito, pimentão nesta receita.
Não creio que seja espanhol, uma vez que diz ser, no seu blog, “… um alarve de origem ribatejana…”. Creio talvez, que nós, espanhóis tenhamos alguma legitimidade para evitar algumas certezas por vezes autodidactas.

Bom apetite.

jms disse...

È bem verdade que descender de galegos não faz de mim nenhum especialista em gastronomia da Galiza, e que ser de origem ribatejana não me transforma num expert em sopa de pedra, nem num forcado. Porém, também é verdade que atrás do anonimato posso ser o rei de Espanha, o Jamie Oliver, o chefe Silva, a Maria de Lourdes Modesto, o Emplastro ou a Cicciolina.
No que toca à arrogância acho que o registo do comentário, que antecede este, “fala por si”.
Em relação ao Polvo à Galega e á pimenta cayena. As fontes que serviram de referência para a elaboração deste petisco, foram amigos Galegos que tenho o prazer de visitar regularmente e que me garantiram que, apesar de se utilizar o pimentão no “Pulpo a la Gallega”, a receita tradicional tinha como referencia, para o tempero final, a pimenta cayena. Daí, eu achar que seria bom experimentar com alguns amigos portugueses o tempero que os Galegos me disseram ser o original, para depois partilhar aqui no blog. Mas, nada disto é imutável! Na culinária tudo é possível! Eu costumo dizer, tendo como experiência o que acontece na aldeia dos meus avós maternos, que a forma de elaborar um prato muda consoante o número de porta.
Para além disso, e tal como a expressão popular diz, estamos sempre a aprender. Por essa razão terei todo o gosto em visitar o Arcádia, da próxima vez que me deslocar á Galiza, com o intuito de aprender mais sobre a culinária dessa fantástica região ibérica.
Confesso que a utilização, da minha parte, da expressão “não tenho dúvidas” não foi, de facto, feliz. Assumo-o. Defendo até que devemos dar espaço à dúvida, pois só assim poderemos aprender mais.
A Internet é, sem sombra de dúvida, uma auto-estrada de informação, mas, tal como as auto-estradas portuguesas tem informações erradas, a Internet também as tem. Por essa razão, a Internet pode servir de referência, mas nunca como prova ou como confirmação. Para reforçar o que digo, dou como exemplo este mesmo blog, que por estar na Internet não significa – tal como sugere o comentário anterior – que todo o seu conteúdo esteja correcto.
Independentemente da nacionalidade, neste blog, todos têm legitimidade para “evitar certezas” e para alimentar dúvidas acrescentando ideias, sugestões, truques, ensinamentos e até atoardas, criticas, desabafos ou alarvidades.
Apesar de eu não ser crítico gastronómico, posso dizer, na minha condição de alarve, que o Polvo estava muito bom e que vou experimentar com pimentão-doce.

Saudações gastronómicas.

J. Carlos disse...

Gostava então de lhe “servir” também, outra “posta de pescada”.
De facto, considero meritório deixar “apurar” ainda mais este prato.
Mas antes de mais, quero dizer-lhe que o considero inteligente pela forma “bem temperada” como escreve, e que por isso, lhe dou uma gorjeta num registo “agro-e-doce”.

Por analogismo ao tema, devo dizer que o seu post anterior é uma “barrigada” de riso. Acho muito divertido da sua parte, falar de anonimato e num tom irónico quando o seu perfil no blog é inexistente e assina com JMS.
Também não posso deixar passar em claro, alguma demagogia da sua parte ao referir-se à flexibilidade da cozinha, quando foi precisamente esse o motivo pelo qual lhe escrevi em virtude de um dogma seu. É claro que concordo com o experimentalismo/evolução. Não fui eu que fiz parecer uma mera observação, a do nosso colega, numa aberração.

Para terminar e se gosta de ir ao fundo do tacho, quando visitar o restaurante marisqueira Arcádia com os seus amigos, experimente o Bogabante a la Plancha, as Nécoras, as Zamburiñas a la plancha e, os percebes?
Tenha em atenção que o dia de descanso é Marte e as férias em Enero.

Abraço.

jms disse...

Sempre fui apologista de deixar as caixas de comentários apenas para os visitantes dos blogues, mas com o “Hoje há pipis” pensei que o registo de pergunta/resposta entre visitante e administrador, e vice-versa, poderia ser benéfico para todos, desde que trate a temática do blogue. Ao que parece, depois da pimenta cayena, enganei-me mais uma vez. Isto porque os comentários, deixaram de tratar o assunto do post mas transformaram-se num cobarde ataque pessoal, escondido atrás do J.Carlos.
Depois de ponderar varias hipóteses sobre, que motivações poderiam levar alguém a acusar-me de ser arrogante, demagogo e dogmático, tendo apenas como referência para essas acusações o que aqui escrevi sobre o polvo à galega, achei por bem, seguir o “rasto cibernético” do J.Carlos em busca de respostas.
Por mais cenários e hipóteses levantadas nunca imaginei que as suspeitas, que o “rasto” me indicava, fossem possíveis. O que, infelizmente, vim a confirmar com o “rasto”dos comentários do J.Carlos.
Apesar de eu não ter perfil no blogger e de ser, para a maioria dos visitantes deste blog, mais um anónimo, não posso admitir que o J.Carlos utilize esse facto como argumento, pois trata-se de uma pessoa que me conhece, que sabe onde vivo, tem o meu número de telefone, o meu endereço de e-mail e que pode acusar-me de demagogia, de arrogância e dogmatismo cara á cara, caso tivesse dignidade para o fazer.
Posso agora ser dogmático e afirmar que não tenho dúvidas em relação à identidade da pessoa em causa. Ser arrogante, dizendo que é escusado desmentir o que aqui afirmei. E posso ser demagogo, confessando que nunca imaginei ser possível tamanha falta de carácter. Mas levantam-se algumas questões: O que pretendes com isto? Estás-me a testar? È uma brincadeira? Porquê?
A ver vamos se, depois disto, ainda me vou surpreender com alguma réstia de respeito e consideração, que acho que mereço.
Como acho que o prato já “apurou” o suficiente, ao ponto de “cheirar a esturro”, vou “desligar o fogão”. Ou seja, nada mais direi sobre este assunto.

Alex disse...

Também chamado Polvo à Feira.

Saudações desde a Galiza. :D

Anónimo disse...

se voces se fossem foder todos. Comam o polvo que e' optimo seja com que for... Sao mesmo tugas 'a murraca por causa de merdas que nao valem nada!

Obrigado pela receita!

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