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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Taberna do Manelvina (Cruzes)


Ali para os lados das Caldas da Rainha (nem sei bem onde) fui visitar o que me disseram ser uma "taberna/churrasqueira, toda ela, com as paredes forradas a caixas de vinho". Estava preparado para tudo pois quem sugeriu o local é de "boa boca".

A Taberna do Manelvina não complica as coisas, simplificando e eliminando as paneleirices que estão hoje muito na moda. Ali come-se. Quem quiser moda e design terá que ir a outro sítio e na verdade também não vai fazer lá falta!

O tiro de partida é feito com entremeadas cortadas muito fininhas, costeletas de porco preto, febras de porco preto, tudo grelhado com um molho secreto, e ainda farinheira, chouriço e morcela de arroz. Acompanham com uma salada de tomate, cebola e pimento bem picadinhos, com um tempero de "se lhe tirar uma loja de chapéus".

A salada de tomate é realmente divinal mas o melhor de tudo são as batatas fritas, cortadas à mão, em tamanhos disformes e com um textura estaladiça por fora mas delicada por dentro.

Para quem ainda não estiver satisfeito há costeletinhas de borrego, diversas peças de vitela grelhada, bife de touro (aconselho), sardinhas, bacalhau assado e um inesquecivel cozido de carnes bravas.

Vinhos que entusiasmam não faltam e também há digestivos da casa, que não aprecio, a que chamam cachecol e água do luso, mas que não são mais que bagaçeira amarela e moscatel.

Detrás da orelha: Batatas fritas e salada de tomate
Desenxabido: Cachecol e água do luso
Pontuação: Bom
Preço: Justo

Taberna do Manelvina, Rua Principal Nº21, Cruzes (Caldas da Rainha)
Contactos: 262870014 , 262870011 , 917221062, tabernadomanelvina@gmail.com

terça-feira, 6 de julho de 2010

Wok (Caldas da Rainha)

Portugal sempre foi um país de viragens. Vira-casacas, virar o cabo das tormentas, virar por engano para o Brasil, virar rabeta, etc. No que diz respeito à arte de enfardar há viragens que me irritam profundamente e que se reflectem principalmente na alteração das designações de origem tradicional.
Em Portugal basta estrangeirar um nome para que a coisa ganhe estatuto. Veja-se, por exemplo, o que acontece no caso dos produtos tradicionais que, quando denominados Gourmet, conquistam um estatuto tal, que nos leva a pensar que são produzidos pelas mãos de uma tia de Cascais, ao invés de mãos calejadas e
honradas casas humildes, origem do melhor que se enfarda em Portugal.
O mesmo se passou com os refeitórios, a que agora chamam Buffets. Ser dono de um refeitório é característica de pobre mas se forem proprietários de um Buffet levam garantidamente uma palmadinha nas costas e são vistos como gente "de bem".
Podia estar horas a escrever sobre as paneleirices que têm chegado à cultura gastronómica portuguesa e que nada acrescentam ao pecúlio nacional da arte de enfardar. Até as felizes e bem sucedidas designações "coma até cair de cu" e "coma até rebentar", foram substituídas pelo rodízio. Deve ser consequência do acordo ortográfico!
Hoje em dia há rodízios de tudo e para todo o gosto... e mau gosto. Ele é de peixe, marisco, carne, gajas, pizas, doces, estupidez e até do que soe a estrangeiro e que venha servido num prato com design, bifidus activos ou actiregularis, lactobacillus casei,
el casei imutinass e, de preferência, a saber a "não sei bem o quê".

Bem...isto tudo para vos falar de um maravilhoso refeitório oriental (vulgo buffet - bufete em português), que visitei nas Caldas da Rainha, e que me surpreendeu pela simplicidade, qualidade e preço das diversas iguarias disponíveis. Não posso enumerar a vasta variedade apresentada mas posso resumir a coisa a Japão, Tailândia, China, Coreia e ainda Brasil e Portugal, que como sabem, são países que nem são orientais nem orientados.
Este refeitório oriental tem também uma secção onde o enfardador selecciona os ingredientes crus e entrega-os a um senhor, com ar de ninja, que os coloca num wok e que, em poucos segundos, os devolve aptos para degustação. Tirando os alguidares cheios de carne crua que iam passando pelo meio da sala, aconselho vivamente uma visita ao Wok.

Detrás da Orelha: Empregados mesmo orientais, sushi, chao min, gelado frito, galinha com sésamo
Desenxabido: Salsicha fresca grelhada, batatas pré-fritas
Bolso: Em conta

Wok, Rua Coronel Soeiro Brito, Caldas da Rainha

terça-feira, 22 de junho de 2010

Taverna O Caldeiro


Uma porta abre-se após um sinal sonoro... uma quase regressão aos tempos das tavernas medievais escocesas!
O meu namorado quis fazer brilharete e deu-me a conhecer este espaço, fiquei supreendida ao quadrado - pelo espaço, pela ementa, pelo romantismo e por ele ter pago a conta! Obrigada\\
Este restaurante conta com uma ementa tradicional portuguesa com pratos típicos de várias partes do nosso cantinho e uma vantagem, a meu ver, é o som ambiente, Fado, mas do bom! Os cozinhados são todos feitos em tachos de barro ou no carvão, a simplicidade e bom atendimento, a luz que alumia as várias salinhas abre-nos o apetite para o pato escondido, a petinga frita com açorda de coentros, as favas à alfacinha ou o bacalhau à minhota, entre outros...
Façam uma visita à outrora taverna e carvoaria, à data de construção do aqueaduto, situada mesmo ao pé do jardim da mãe d'água, na rua das amoreiras, 45-49. Não esquecer que encerra ao Domingo e que para grandes grupos é complicado, mas para um jantar, às luz da vela para 2 é o ideal...

sábado, 15 de novembro de 2008

Restaurante Trigueirinho

O trigueirinho é um cantinho onde se come como em casa da mãe! Se é que me faço entender. É daqueles sitios que trazem a comidinha quente, mimam o freguês e quando nos tentamos levantar é o diabo!
Este antro de enfardanço, como os meus "sócios" lhe chamam, pertence as duas manas, a D. Laurinda e a D. Cecilia. Que para além de boas cozinheiras fazem as honras da casa ao regalo do cliente.
A especialidade é o cozido à portuguesa e é só à terça-feira. O vinho da casa não lhe fica atrás, Encostas do Côa, baratinho e cai no bucho que é limpinho. Para sobremesa, uma bela mousse de caramelo. Tudo caseirinho, feito pelas simpáticas manas, directamente ao freguês.
O menos agradável, no meio disto tudo, - mas que no fim a malta já nem pensa nisso - é a escadaria que temos de subir desde o Martim Moniz ao Largo do trigueirinho.

Apareçam lá e mandem cumprimentos da malta dos pipis.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Jomafel

Sempre existiram preconceitos em relação à fast food, mas eu tenho ideia que este tipo de comida está para a gastronomia como a pornografia para o cinema, ou seja, todos gostam mas ninguém assume.
Tal como em tudo na vida há sempre o bom o mau e, em alguns casos, o vilão. Na política existem os políticos bons e o Sócrates, na pornografia há as más actrizes e a Cicciolina, e há a má fast food e a Jomafel. O vilão, em alguns casos, é a ASAE!
Sou da opinião que existem dois tipos de fast food. A que é elaborada de forma rápida, como diria o meu avô, “mal e porcamente”, e a que é feita para ser comida rapidamente mas confeccionada com tempo e carinho, como diria o João Carlos Silva na “Roça com os tachos”. É aí que reside a diferença.
A primeira é de má qualidade e está associada aos hambúrgueres, cachorros e derivados. A segunda é à “portuga” e os menus são compostos por sopas, bifanas, pregos, sandes de ovo, panados, chamuças e por aí fora. È neste mar de escolhas que se destaca a Jomafel, uma padaria/snackbar/pastelaria que abre ás cinco da manhã e fecha por volta das nove da noite, ali para os lados da Benedita, no IC2, outrora Nacional1, mais concretamente no km84 (Casal Carvalho).
Este espaço único serve todo o tipo de iguarias do fast food português, incluindo mini-pratos gigantes de arroz de cabidela, vitela no forno, sopa de peixe, sopa de pedra, pizzas, pastelaria fina e todos os tipo de pão, entre os quais: Pão com chouriço, pão com bacalhau, pão com toucinho, pão com bacon, pão de água, pão regional e muitos mais.
È importante destacar os pastéis de castanha, as natas da Benedita e todos os pregos de vaca, mimados com carne certificada de alta qualidade. Enfatizo o prego à Jomafel em casca. Não me perguntem o que é! Memorizem o nome a peçam. Vão ver que não se arrependem de sentir no palato a textura da carne, ligeiramente apaladada de alho, bacon e casca torrada. Acompanhem com uma mini, um sumol ou um "cortigripe" e rematem com uma nata da Benedita e um pastel de castanha. Café é opção.
Este antro, que já muitas vezes serviu de mote para a conversa sobre a temática do franshing de comida portuguesa com o meu camarada Rolo, já merecia esta referência até porque nem sequer recorre ao outsourcing, produzindo tudo nas suas instalações.
Basta acrescentar que pode visitar a Jomafel em www.jomafel.com, mas não se deixem enganar porque o site não faz jus à qualidade da casa.
Para terminar uma referencia ao curioso sistema de comunicação em que os clientes vão sendo informados, qual aeroporto ou estação de expressos, dos horários a que vão sair... os pasteis, o pão ou qualquer outro produto.

terça-feira, 6 de março de 2007

Sabores d`Aldeia (Cadaval)

Numa noite em que a irracionalidade musical me levou para zonas que desconhecia, eu e os meus companheiros de pauta, enveredamos por uma aventura em busca dum local para comer algo mais que uma bifana ou um bitoque. Depois de verificarmos que a sugestão de restaurante de um dos compinchas se encontrava encerrada, sem saber como ou porquê, o alcatrão levou-nos até um restaurante de beira de estrada rodeado por stands de automóveis e outras superfícies comerciais típicas de uma estrada regional com movimento. Estacionamos. Dirigimo-nos à entrada e deparamos com uma sala grande e fria, talvez por estar vazia, tendo em conta o número de lugares disponibilizados e…livres.
Escolhida a mesa, pedimos umas imperiais para por fim à desidratação causada pela rotação dos pneumáticos no alcatrão, e fomos presenteados por azeitonas e pão dignos de uma vénia de agradecimento. O frio foi-se encolhendo e deu lugar à lista de comezainas. Coelho à caçador, polvo à lagareiro, veado na púcara, vitela à padeiro, pato no forno entre muitas outras propostas que começavam nos grelhados e acabavam em pratos de peixe.
Como a hora já ia avançada e as refeições servidas ao jantar não entusiasmaram a mão-de-obra da cozinheira, foi-nos sugerido o pato no forno.
Tal como o serviço informal e bem intencionado sugeriam, o pato no forno estava bem cozinhado, mantendo todos os sucos da carne, bem temperado – sem exageros de especiarias – com a textura certa e pele estaladiça.
Ao contrário do vinho, das azeitonas e do pão de trigo e de passas que acompanharam o repasto, as batatas fritas que ladeavam o pato fizeram com que a ave não tivesse sido convenientemente coadjuvada nesta proposta relativamente bem sucedida. Tal como já expliquei noutras oportunidades, as batatas fritas que - só por si - me fazem voltar a um restaurante devem ser,… aliás, não devem ser pré-fritas nem ultracongeladas, mas sim, daquelas batatas teimosas que dão trabalho a descascar e a cortar aos palitos não homogéneos. Essas sim, se fritas da forma correcta servem de bilhete de regresso, pois para além da sua textura estaladiça por fora e húmida por dentro, fazem do nosso palato um brinquedo vulnerável nas mãos deste tubérculo.
O arroz de manteiga estava no ponto não deixando margem para grandes negativismos.
Terminado o prato principal, foi-nos sugerido o doce da casa que foi petiscado por três colheres, colheres essas, que devido à falta de essência e substancia da dita sobremesa caseira, foram abandonando a taça ainda coberta de chantili de lata e por um palito de la renne empapado.
Seguiu-se o café e os digestivos a gosto, a conta, o pagamento e o regresso ao alcatrão que nos levaria de regresso ao espaço onde iria ser cometido o crime musical de qualidade muito similar às batatas fritas que adornaram o prato no final do jantar.

Detrás da orelha: Pato no forno, azeitonas e pão.
Desenxabido: Batata frita e doce da casa.
Pontuação: Come-se
Preço: Uma pechincha

Sabores d`Aldeia, Estrada nacional 115 – Casarão (Cadaval). Tel. 262 744 264

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Restaurante Spot Lx


Meus amigos, para quem gostar de cozinha moderna e se interessar por novas experiências gourmet, sugiro um espaço óptimo a preços agradáveis para quem procura entrar neste universo, sem ter que vender o carro para comer.
Situado no 2º piso do Casino de Lisboa, O Restaurante Spot Lx é um local agradável para se estar e para comer. Podes optar pela sala, para uma refeição mais calma e prolongada, ou por um contacto descontraído, em mesas de bancos altos junto ao balcão, onde podes contemplar a dinâmica que se vive na cozinha ou se preferires, apreciar os espectáculos no Átrio do Casino. Foi numa destas mesas, que eu e a minha “Maria” dissecámos umas “Samoosas de bacalhau e queijo da serra”, “Gyoza de galinha e cajú com molho teriyaki” e tentámos o “Crab Cake com creme de wasabi” mas já não havia.
Sobre a comida, tenho a dizer que vale a pena de facto e que se “Os olhos também comem”, então os meus devem estar inchados.

Contactos:
21 892 90 43 ou 96 135 51 00
info@evolucaogastronomica.com
www.spotlx.com

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Encosta do Castelo (Castelo Branco)

Numa paragem a meio caminho de casa para abastecer combustível, energias e intestinos, pois as quatro horas de viagem desde a vizinha Espanha nos deixaram “esganados de traça”, resolvemos aproveitar para degustar algo nas proximidades da A23. E porque não Castelo Branco?
O rés-do-chão de um prédio de alguns andares e o aspecto exterior sem publicidade ou placares luminosos, fazia crer que, de um bar de alterne se tratava. O adiantar da hora (23.10), e o facto de ser segunda-feira, obrigava-nos a não ser muito selectivos. Entramos, e somos confrontados com uma sala enorme, de decoração inexistente, com três mesas ocupadas e empregados de cara não muito risonha. Nada de bom nos esperava. Pedimos a ementa, e só a partir desse momento é que percebemos que estávamos num daqueles locais que não devemos julgar à primeira vista.
A ementa estava recheada de opções apelativas e sugestivas. Cabrito na telha, perdiz no forno, ensopado de javali, costeleta de veado, arroz de lebre, cataplana de carne, bacalhau no barro, bucho recheado, maranhos à casa, sopa de garoupa e peixe fresco para todos os gostos.
A escolha do vinho não foi fácil, tal era a variedade de uma vasta garrafeira. Optámos por um tinto “Quinta do Carmo" de 96, o que nos obrigou a aplaudir e pedir um” bis”.
Como entrada: cogumelos com pimento, pataniscas de legumes, salada de mexilhão com cebolinho em vinagrete, e courgette panada. Elaborados cuidadosamente, mas servidos num só prato, o que elimina a possibilidade de uma apreciação coerente, devido á miscelânia de sabores.
Seguiu-se a escolha do prato principal. Como as dúvidas eram muitas, a nossa escolha recaiu em pratos que nem todos os dias temos oportunidade de devorar. Eu, optei pelo arroz de lebre. O meu companheiro de repasto pediu perdiz no forno.
A perdiz estava soberba. Bem temperada e igualmente confeccionada, ao ponto de a podermos desfazer com a parte lateral do garfo. Mas, as batatas fritas em cubos perderam a “piada” toda por virem ensopadas com o molho da perdiz. O que fez com que ficassem moles. Tal qual a carne de porco à alentejana quando as batatas ficam ensopadas de “molhanga”, que eu particularmente não gosto, porque nem parecem batatas fritas, nem cozidas. Gosto sim, de batatas fritas aos cubos que sejam estaladiças por fora e bem cremosas no seu interior.
Por outro lado, a lebre estava divinal. O arroz, com uma cozedura irrepreensível, encorpado pelos fluídos da lebre, regado com azeite de qualidade e com um ligeiro travo a carqueja e vinagre digno de nota. Valeu o dia e a viagem.
Apesar de não ser o meu tipo de pão predilecto, pois o meu tipo de pão favorito é típico do Ribatejo e norte da Estremadura, o pão serrano que nos foi servido, tendo em conta a tipicidade da panificação da região, merece uma nota muito positiva.
Nas sobremesas a variedade também é muita. Desde doçaria regional, fruta, gelados, entre outras iguarias. Mas nós, aproveitamos para "gastar" o que restava de pão e vinho, com queijo da serra e queijo amarelo de Castelo Branco
O serviço é muito dado a paneleirices próprias de almoços de casamento - como por exemplo - as mãos atrás das costas (qual jogador de futebol quando se dirige ao árbitro) ou então, guardanapos em formato de pomba e aguardente velha aquecida no vapor da máquina de café. Com tanta paneleirice descuram alguns pormenores, como: o copo ideal para servir vinho tinto; reposição e atenção ao que vai faltando na mesa; saber que ingredientes compõem o arroz de lebre, para além de lebre; ou, conseguir responder á pergunta “de onde é o pão” sem dizer “oi?”.
Nota muito negativa para a música ambiente. Só faço esta referência porque, pela primeira vez, senti que era demasiado incómoda para passar ao lado de um reparo.

Detrás da orelha: Arroz de lebre
Desenxabido: Batata frita em cubos
Pontuação: Come-se
Preço: Em conta

Encosta do Castelo, Urbanização Encosta do Castelo, Lote 19, r/c (Castelo Branco). Tel. 272 327 308
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