quarta-feira, 9 de julho de 2008

Vermelho, vermelhinho, vermelhão


Trata-se de uma sobremesa e não de um jogo de Futebol ou pessoa avantajada aos berros! Simples, rápida, mas fatalmente saborosa... Depois de um jantar leve, nada como uns morangos regados com sumo de limão, e acompanhados por uns belos quadrados de chocolate negro. (74% de cacau, pelo menos). E, tudo isto caros amigos... é muito importante para o nosso paladar e até para a nossa saúde, o chocolate negro é altamente benéfico para pessoas do grupo sanguíneo A-.

Foi nas Amoreiras, na Cacao Sampaka, que encontrei o chocolate ideal para este mimo, o chocolate de S. Tomé . A filosofia da loja Cacao Sampaka é simples, controlar todo o processo, desde a selecção dos grãos de cacau até ao consumidor. Tem mais de 64 variedades de bombons, tabletes, tentações, compotas, cremes de barrar, gelados, produtos sazonais e acessórios complementares como livros, utensílios ou vinhos.
Delicioso e no mínimo tentador.

Bom apetite

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O dilema do mexilhão


“Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão.” Mas quem o manda viver nas rochas? Que dizer de um bicho cujos principais predadores são a estrela-do-mar e o homem – um animal sem cérebro e outro que tem dificuldade em usá-lo?
O mexilhão é um molusco bivalve que vive no dilema das rochas: umas vezes tem água para filtrar e alimentar-se, outras nem por isso. Tal como o meu dilema em comprá-lo para o cozinhar. É que um quilo de mexilhões custa apenas cerca de dois euros. Em termos absolutos é o molusco mais barato do mercado. E se lhe chamarem marisco, é o “marisco” mais barato do mercado a seguir aos tremoços. Mas por outro lado, são conchas muito grandes para bichos muitas vezes muito pequenos. É verdade que são deliciosos e sabem a mar. Mas por outro lado, dão um trabalhão enorme a preparar.
Quando faço compras e sei que tenho tempo para os lavar compro um quilo para fazer de entrada ou de petisco. A lavagem é morosa e aconselha-se uma escova forte, uma faca e água corrente (não é aconselhável ficarem mergulhados em água porque perdem sabor). O mexilhão não é muito inteligente, mas é um “coração grande” pronto a deixar que outros bichos habitem nas suas conchas. É preciso limpar e lavar um a um, tirando a maioria dos bichos mais a lama, os limos e as suas famosas barbas que gosta de manter de molho. Não aconselho a arrancá-las por esticão, porque alguns deles estão demasiado “apegados” a elas (eu compreendo perfeitamente apesar de ter pouca) e podem muito bem sair disparados atrás delas partindo a casca. Ou as tiro com jeitinho ou opto por cortá-las com uma tesoura.
Depois de lavados, o caso muda de figura. São uma excelente ajuda para um jantar mais cuidado e um brilharete como entrada.
Gosto deles numa generosa cebolada com molho de tomate. Antes de começar a preparar o resto do jantar ponho a panela ao lume. Começo pelo refogado: azeite, cebola, alho e sal. Junto pimentos vermelhos e quando estiver tudo murcho, junto polpa de tomate, vinho branco e picante. Mais tarde acrescento as ervas que tiver, de preferência, frescas.
Enquanto a molhanga apura vou fazer o resto do jantar. De vez em quando dou uma olhadela, mexo com cobiça e continuo a fazer o jantar. Cinco minutos antes de servir, passo os mexilhões pela panela – o objectivo é só que abram e antes que dêem o último grito, tiro tudo e sirvo numa travessa.
O último dilema: dedicamo-nos a comer os bichos ou a molhar o pão? Seja como for, se sobrar molho pode guardar-se para comer frio com pão ou com tiras de milho. Dá trabalho, mas compensa. E quem se lixa é sempre o mexilhão.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Perna de perúa winehouse


Jantei tarde. Fui ao congelador e encontrei uma boa perna de perúa. Meti-a no microondas a descongelar e na televisão meti o concerto do Rock in Rio da Amy Winehouse. Confesso que eu próprio só ia ao RiR se estivesse bêbado e sem voz de tanto gritar no, no, no.
Para um recipiente cortei um caldo de galinha, três dentes de alho picados, uma folha de louro, pimentão doce, sal, pimenta, ervas de provence e três pés de poejo. Reguei com sumo de limão e esmaguei tudo.
Apesar de até gostar dela, retralhei as pernas todas à perúa. Talvez arrependido, untei-lhe todos os golpes com o cocktail que tinha preparado. Polvilhei com mais ervas de provence, coloquei-lhe gentilmente a perna num papelote e levei ao forno. Pús-me a ver o concerto e a rir. O concerto acabou e, ainda a rir, fui ao forno abrir o papelote. A perna da perúa já estava pálida e por isso ofereci-lhe algum ananáz cortado em pedaços grandes e rebentos de bambú. Deixei tudo no forno.
De vez em quando ia ver como estava a coisa e regava-a com as próprias lágrimas.
Finalmente tirei do forno, com cuidado para não cair, mas sem evitar este resultado estranho.
Depois servi-me. Com vinho da casa, claro.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pêra Bêbeda


Se o vinho é o acompanhamento por excelência da comida em geral também é verdade que tem um papel muito importante na própria confecção de muitos pratos.
Diz-se que devemos cozinhar os alimentos com o vinho que vamos beber e por vezes isso é verdade. Uma cabidela cuja carne marinou num bom vinho, terá certamente mais para oferecer do que marinada num vinho incipiente.
Deixo aqui uma pequena sugestão para uma sobremesa onde o vinho assume um papel preponderante:
Pêra Bêbeda.

Descasca as pêras e num tacho cobre-as com bom vinho tinto, 4 colheres de sopa de açúcar louro e um pau de canela. Leva ao lume até o molho reduzir e engrossar.
Deixa arrefecer e serve com uma bola de gelado de natas com chocolate e vais ver o que é bom…

terça-feira, 13 de maio de 2008

Jomafel

Sempre existiram preconceitos em relação à fast food, mas eu tenho ideia que este tipo de comida está para a gastronomia como a pornografia para o cinema, ou seja, todos gostam mas ninguém assume.
Tal como em tudo na vida há sempre o bom o mau e, em alguns casos, o vilão. Na política existem os políticos bons e o Sócrates, na pornografia há as más actrizes e a Cicciolina, e há a má fast food e a Jomafel. O vilão, em alguns casos, é a ASAE!
Sou da opinião que existem dois tipos de fast food. A que é elaborada de forma rápida, como diria o meu avô, “mal e porcamente”, e a que é feita para ser comida rapidamente mas confeccionada com tempo e carinho, como diria o João Carlos Silva na “Roça com os tachos”. É aí que reside a diferença.
A primeira é de má qualidade e está associada aos hambúrgueres, cachorros e derivados. A segunda é à “portuga” e os menus são compostos por sopas, bifanas, pregos, sandes de ovo, panados, chamuças e por aí fora. È neste mar de escolhas que se destaca a Jomafel, uma padaria/snackbar/pastelaria que abre ás cinco da manhã e fecha por volta das nove da noite, ali para os lados da Benedita, no IC2, outrora Nacional1, mais concretamente no km84 (Casal Carvalho).
Este espaço único serve todo o tipo de iguarias do fast food português, incluindo mini-pratos gigantes de arroz de cabidela, vitela no forno, sopa de peixe, sopa de pedra, pizzas, pastelaria fina e todos os tipo de pão, entre os quais: Pão com chouriço, pão com bacalhau, pão com toucinho, pão com bacon, pão de água, pão regional e muitos mais.
È importante destacar os pastéis de castanha, as natas da Benedita e todos os pregos de vaca, mimados com carne certificada de alta qualidade. Enfatizo o prego à Jomafel em casca. Não me perguntem o que é! Memorizem o nome a peçam. Vão ver que não se arrependem de sentir no palato a textura da carne, ligeiramente apaladada de alho, bacon e casca torrada. Acompanhem com uma mini, um sumol ou um "cortigripe" e rematem com uma nata da Benedita e um pastel de castanha. Café é opção.
Este antro, que já muitas vezes serviu de mote para a conversa sobre a temática do franshing de comida portuguesa com o meu camarada Rolo, já merecia esta referência até porque nem sequer recorre ao outsourcing, produzindo tudo nas suas instalações.
Basta acrescentar que pode visitar a Jomafel em www.jomafel.com, mas não se deixem enganar porque o site não faz jus à qualidade da casa.
Para terminar uma referencia ao curioso sistema de comunicação em que os clientes vão sendo informados, qual aeroporto ou estação de expressos, dos horários a que vão sair... os pasteis, o pão ou qualquer outro produto.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Cabeça de Toiro


O vinho Cabeça de Toiro Reserva Tinto, Ribatejo DOC é de caras um bom vinho. Tem muito por onde pegar. Marca emblemática nos vinhos do Ribatejo é a cada colheita lançada uma óptima investida.
Após alguns anos em cativeiro, este Reserva 2005 regressa à nossa praça em grande força e com uma nova roupagem.
Produzido a partir das castas Castelão e Touriga Nacional, este vinho tem na sua estrutura características para guardar e evoluir ainda mais.
Tem 13,5% de álcool por isso cuidado, não marrem muito com ele.

Deixo-vos a nova imagem deste vinho que irá estar no mercado muito em breve para que o procurem num restaurante perto de si.

Bons Vinhos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Homenagem à Criadora.


Se hoje sei alguma coisa de culinária, isso deve-se em grande parte à minha mamã. Ensinou-me muito do seu saber e vários truques imperativos para a correcta confecção de alguns pratos. Mas sobretudo, cultivou em mim e nos mês irmões, o gosto e respeito pela comida, esse prazer da vida por tantos negligenciado. Mesmo depois de um dia de trabalho árduo na sua cozinha de profissão, reservou-nos sempre alguma energia para forrar a mesa de jantar com tudo menos qualquer coisa.
Ainda hoje, procuro nas suas páginas, recursos que parecem inesgotáveis.
Tenho de admitir que o telemóvel é útil em alguns casos.
Mas isto não é uma homenagem lamechas! Não tinha piada nenhuma!
Quero aqui nesta sala, revelar a minha gratidão de facto, mas também mostrar como nunca é tarde para retribuir estas dádivas das mais variadas formas. E sublinho variadas!
Como não pretendo ensinar a missa ao padre, resolvi oferecer à minha mãe algo diferente. Uma vez que ela gosta e muito de música ofereci-lhe um curso de bateria.
No fundo, estou a trocar a sua cozinha, tachos e tabuleiros que tantas vezes me emprestou pela minha adega e pela minha bateria. O conhecimento que tenho para lhe oferecer é que não me parece justo de facto. Mas este curso é de iniciação o que equivale na prática a uns ovos mexidos ou um arroz branco.
Para um cabrito no forno ou um bacalhau com natas (grau avançado), pois então já estamos a falar de Double Paradiddle, Double Stroke Roll e ritmos sincopados.

Votos de sabores percutidos.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

Vinho a copo


De facto, é verdade que não soubemos aproveitar a nossa história.
Descobrimos os índios americanos e nem por isso damos nomes tão característicos aos nossos filhos como por exemplo “Filho de Um Bêbado”.
Descobrimos o Brasil e nem nos dentes usamos o fio dental.
Descobrimos a Índia mas não conheço nenhum prato português com caril.
E inventámos o conceito de vinho a copo ao balcão mas no entanto parece que ainda existe alguma resistência em assumir-mos essa nossa tradição.
Hoje, nos lugares fashion, fica bem o consumo de vinho a copo mas fora desse contexto o preconceito persiste.
Alguns dizem ser pelo formato dos copos. Nam...
E foi a pensar nisso, julgo eu, que alguém muito inteligente e muito português com certeza, inventou este objecto onde um dos pilares do Design, a relação forma/função, está bem presente. Kitsch? Talvez. O que importa é que agora já podemos beber vinho a copo em qualquer sítio sem passar vergonha.


Um Brinde.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A segunda caixinha mágica.

Depois da TV surge outra grande ideia em formato Box. Não é da TV Cabo nem tem comando à distância mas podemos sempre pedir a alguém para pressionar o botão enquanto ficamos recostados numa cadeira à beira da churrasqueira.
Falo do Bag in box ou se preferirem saco na caixa. Sem dúvida uma óptima forma de acondicionar o vinho.
É quase um laptop. Podemos movimentá-lo de mesa em mesa ou guardá-lo na mala do carro. Se for de linha branca até pode ficar no frigorífico.
Estas caixinhas estão disponíveis em capacidades de 2, 3, 5, 10 e 20 megas , sendo que estas ultimas são mais indicadas para trabalhos de grupo.
Esta magnífica criação utiliza um hardware inovador que mantém intacta na memória toda informação sobre o seu conteúdo por mais de 1 semana. Depois, tal como as baterias, se não as deixarmos descarregar totalmente, ficam viciadas, sem potencialidades e teremos que as substituir.

A sério! Aconselho vivamente o uso de alguns destes produtos. Já temos óptimos vinhos acondicionados nestas embalagens, inclusivamente marcas regionais e geralmente a preços simpáticos. E não precisa de saca-rolhas.

Abraços vínicos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Herdade dos Grous.


Prometi a mim mesmo que não falava sobre vinhos de elite mas perdoem-me excepção. É que este vinho é mesmo de excepção.
Bebi 2 garrafas num restaurante ao jantar com um amigo e bebíamos mais se houvesse tempo na carteira. Entretanto consegui descolar 1 caixinha de 6 ao dono do restaurante a preço de custo e enfim...
Quando eu disser que é um vinho alentejano ficam já todos de olhos bem abertos. Mas atenção!... É preciso fechar os olhos ao preço.
É coisa para custar entre 20 a 25€ a garrafa no restaurante. Na loja, apenas 10€. E digo lojas porque não existe nos supermercados mas sim no Corte Inglês, enotecas e clubes.
É um rico vinho, de gente rica e para gente rica, mas como nós somos provocadores, vamos furar esse elitismo e vamos consumindo algumas garrafitas sem que eles notem.

Sobre o vinho em si, nem me atrevo a tentar descreve-lo. É mesmo, mas mesmo muito bom.
Bem formado, este nosso amigo tirou ainda um estágio prolongado nas melhores madeiras.
É fácil de beber mas tem muito para se descobrir. Apetece conversar com ele mas sobretudo deixá-lo revelar-se. Não o interrompam quando ele se desdobra em argumentos profundos. É um vinho amigo e deve ser bem tratado. Não o levem para más companhias nem para temperaturas baixas. O nosso companheiro prefere carnes vermelhas, assados no forno e queijos intensos.

Região: Alentejo DOC
Ano de colheita: 2006
Castas: Alfrocheiro, Aragonez, Trincadeira Preta, Alicante Bouchet, Syrah, Touriga Nacional e Aragonês
Temperatura de consumo: 18º C
Teor alcoólico: 13,5% vol.
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